sexta-feira, 24 de maio de 2013

Indígenas protestam contra anulação da sentença de Ríos Montt

Carregando uma cruz de madeira, Mateo Juan, de 50 anos, marchou nesta sexta-feira junto com indígenas e ativistas de direitos humanos pela capital de Guatemala para protestar contra a anulação da condenação por genocídio do ex-ditador Efraín Ríos Montt.
"Quando anularam a sentença, eu me senti mal, porque isso quer dizer que, aqui na Guatemala, não há justiça", disse Juan, em meio às gritos e palavras de ordem dos manifestantes, que pedem à Corte de Constitucionalidade (CC) que reveja a sentença da última segunda-feira (20), que anulou a pena de 80 anos de prisão ditada contra Ríos Montt no dia 10 de maio.
A manifestação, que também aconteceu em outros países latino-americanos, partiu de uma área nobre no sul da capital e seguiu para a Suprema Corte de Justiça e para a CC, no centro histórico.
Em frente ao prédio da CC, os indígenas instalaram um altar de flores e velas coloridas, e espalharam mantas com diferentes dizeres. Em uma delas, a expressão "vergonha nacional" é usada para descrever os magistrados Roberto Molina, Héctor Pérez e Alejandro Maldonado, com cujos votos a condenação de Ríos Montt foi anulada.
"Sim, houve genocídio" e "não à impunidade", gritavam os manifestantes.
O ex-ditador, de 86 anos, recluso em um hospital militar da capital, havia sido condenado a 50 anos de prisão por genocídio e 30 anos por crimes contra a humanidade, como responsável pelo massacre de 1.771 indígenas, ocorrida no Quiché durante seu mandato.
A CC ordenou que o julgamento voltasse ao ponto onde estava em 19 de abril, depois que um Tribunal de Apelações ordenou sua suspensão ao acolher um recurso da defesa de Ríos Montt.
O processo se mantém paralisado, já que os magistrados titulares de duas salas de apelações se isentaram de reconhecer a resolução da CC e, nesta sexta, um trio de juízes suplentes foi desintegrado pela impugnação de uma organização que duvida de sua "imparcialidade".
"Esse é um protesto pela decisão ilegal adotada pela Corte, onde tentam reverter uma das sentenças históricas mais importantes da Guatemala", disse o diretor do Escritório de Direitos Humanos do Arcebispado da Guatemala (ODHAG), Nery Rodenas.
A anulação da condenação foi rejeitada por vários organismos internacionais como a Anistia Internacional. Na terça, a AI classificou a resolução da corte de "golpe devastador para as vítimas".
"As vítimas esperaram três décadas para receber justiça pelas atrocidades cometidas contra a população ixil, e é lamentável que um veredito de tal importância tenha sido anulado por motivos de procedimento", disse nesta sexta o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, Rupert Colville.
Johan Ordonez/AFP
Protestos de indígenas na Guatemala contra anulação da sentença de Ríos Montt
Protestos de indígenas na Guatemala contra anulação da sentença de Ríos Montt

Aluna:Stefany 1°B
Fonte:www1.folha.uol.com.br

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